Terça-feira, Novembro 10, 2009
Guardadores de rebanhos e gaivotas

Os rebanhos de algodão,
ao entardecer,
descem às pastagens dos nossos sossegos
e apenas a suavidade das gaivotas
reflectida nos teus olhos
parece querer abarcá-los.
Enquanto as nossas bocas
se arrebanham,
há um mar à nossa volta em gritaria
com o desejo de caber
na cegueira serpenteante das mãos,
ávidas em percorrer algodoeiros dóceis.
Abrimos, ao mar, todas as portas do peito,
e passámos a guardar os rebanhos
e as gaivotas dentro de nós.

Poema: Nilson Barcelli © Novembro 2009
Fotografia: Nilson Barcelli
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