Terça-feira, Agosto 11, 2009
Nova luz

Em tempos,
sucumbiste à valsa firme do desejo,
até aí amordaçado nos recantos
que em ti se agigantavam,
e trucidaste o vazio, vivo e mole da saudade,
com o fado da ausência desgrenhada pela distância.
A fonte do bálsamo dos bálsamos, respiração
do teu corpo tão veemente quanto indomável,
floriu, então, nas tuas mãos,
bailarinas em ondas de prazer,
tornando inadiável essa viagem libertária.
As tuas costas, arqueadas,
retesaram todas as cordas
de uma harpa em melodia solitária,
onde dedilhaste, febril,
a dança do ventre inabitado
até me achegares ao teu peito.
Recordar é não viver, é uma traição
à essência adormecida. O que fomos,
não existe. Peço nova luz no teu colo tão amado.
Poema: Nilson Barcelli © Agosto 2009
Fotografia: Autor desconhecido
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