Terça-feira, Agosto 18, 2009
Do tempo e do espaço

Do tempo,
de uma nação que gasta o olhar
entre o melhor de ontem e o pior de amanhã,
temo perder a noção do hoje.
Quase tudo é pessimismo,
amplificado em ressonância
aos quatro ventos.
Do espaço,
de um país tecido
em fumos de antítese permanente,
temo perder a noção do que não é espuma.
Quase tudo é espuma,
que apenas se esvai
a cada nova onda de espuma.
Recuso respirar a perda de tempo
que há no vento do pessimismo
e não quero banhar-me na falta de espaço
que há na rotina da espuma.
Prefiro o tempo real do optimismo
que há no ar que tu respiras
e o espaço temporal da realidade
que há no sal que escorre pelo teu corpo.
Poema: Nilson Barcelli © Agosto 2009
Fotografia: Marina Yam
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