Terça-feira, Julho 28, 2009
O tamanho dos meus bolsos
Por mais
que as minhas mãos o investiguem,
não conheço
o tamanho dos meus bolsos.
Sei que eles mudam de feitio
a cada dia, mas estou em crer
que o que eu não sei,
sem todavia o querer, é o justo alcance
das minhas toscas mãos
e o que elas podem
ou não sabem perceber.
De mãos atadas na pergunta,
ando de bolsos vazios, à solta,
enquanto não souber o que lá cabe
e o que lá pode viver
sem ficar asfixiado, correndo
o risco de criar em cada bolso
um endereço furado, sem respostas.
Nesse reviralho de bolsos e mãos
a abarrotar de incertezas,
sei que há um vaivém preocupado
em te perder, de pena vermelha à mão
de tamanha indecisão
no que te quero dizer, porque não sei
se a tua brisa enche ou transborda
o meu vazio a doer.
Só sei que enlouqueço [se enlouqueço…]
ao sentir o teu fogo a aquecer a vontade
sem controlo que me invade de te querer.

Poema: Nilson Barcelli © Julho 2009
Fotografia: Berenice Kauffmann
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