Terça-feira, Janeiro 27, 2009
Encher a alma com uivos de Sol

Aliados, cicatrizamos as desventuras despidos ao Sol
e a mágoa não se abate redonda,
de olhos fechados,
em pecados já mortos pelo fogo dos nossos milagres.
De mãos dadas, encolhemos as fronteiras das sombras,
detendo a noite,
e apostamos em cruzadas de palavras brancas
para enterrar vivos os nossos fantasmas que rosnam.
Continuaremos a voar transpirados de gritos nas veias
e a respirar suspiros na síntese da voz,
que a garganta adelgaça,
enquanto não tocarmos em pássaros a rir de tristeza.
Persistiremos em esvaziar as circunstâncias da carne
que fervilha de seiva e em encher a alma com uivos de Sol
enquanto não ouvirmos sereias a chorar de prazer ao luar.
Poema: Nilson Barcelli © Janeiro 2009
Fotografia: Alex K – Attraction of fire
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