Domingo, Novembro 30, 2008
Livros de amigos (2)

Uma fascinante obra poética onde as palavras ganham magia, onde os sentimentos se vivem em cada instante e onde a existência humana é representada ao pormenor em cada verso.
A autora presenteia-nos um mar de emoções, onde o amor surge como principal fio condutor de uma vida humana, vida esta que se interroga, que procura incessantemente pela harmonia interior e que vivendo momentos de angústia e de contradição, nunca desiste de lutar por algo que acredita.
Em cada verso, em cada mergulho neste mar poético, o leitor vai-se sentir presente, vai sentir a realidade das palavras e com elas viver o sujeito poético que Carla Costeira com rasgos de genialidade nos apresenta.
Mergulho no Mar da Poesia é seguramente uma obra riquíssima onde o leitor se poderá libertar e viver cada palavra sem ter medo de se afogar..."
Em princípio o lançamento será dia 12/12/2008, em Lisboa.
Cara amiga Carla, felicidades para o teu livro e para ti.

Um simpático livro da nossa amiga Carla Nadir, em parceria com João Machado.
“Asas Quebradas” é um romance em capítulos ilustrados, com uma narração metafísica que toma corpo para além das barreiras do tempo. Com um discurso agradável, onde a espiritualidade dos protagonistas nos transporta a um mundo não muito longe da realidade nos dias que correm de alguns casais … Encontros e desencontros, alegrias e tristezas, traições e sofrimentos…
A força e a importância do amor na eternidade de um tempo, cujos mistérios são o segredo bem guardado que o futuro esconde…
O resultado é uma jornada literária interessante, rica em sentimentos, emoções e viagens místicas…
Parabéns cara amiga, escreve sempre. Boa sorte para o vosso livro.
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Terça-feira, Novembro 25, 2008
Procuramos a verdade

Procuramos a verdade
em ambientes incertos,
onde vemos que as flores
nem sempre têm as mesmas cores.
Se é a bruma
ou o silêncio que as altera,
não o sabemos,
mas devemos admitir
que a nossa pele, por vezes,
não compreende
a luz do sol que as ilumina.
Quando as nuvens,
indiferentes, passam por nós,
fortalecemos a alma
se formos sábios a sofrer,
se não deixarmos de ver
as flores como elas são
na sombra que sobre elas se abate.
Porque o contrário
distorce o ar das coisas
e o que os nossos olhos vêem
enfraquece-nos o espírito.
Mesmo na sombra,
continuas a ter as cores do arco-íris
e a ser a minha flor:
existes em mim e sou feliz.
Poema: Nilson Barcelli © Novembro 2008
Fotografia: Antoine de Villiers
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Segunda-feira, Novembro 24, 2008
Livros de amigos (1) Vanda Paz – Brisas do mar

A nossa querida amiga
A capa, belíssima, foi desenhada e pintada pela sua mãe, Helena Paz.
Desta excelente poetisa, deixo aqui um dos muitos poemas que li e gostei:
A minha sombra e eu
Sigo agora a minha sombra,
já não consigo acompanhá-la,
as minhas pernas tornaram-se lentas.
O meu pensar fica constantemente
agarrado às árvores, esperando
que algo não aconteça e que possa descansar.
Trepo às paredes da minha alma
tentando encontrar o que fui,
tentando entender porque já não o sou.
Tudo se enrola no olhar de cada pássaro.
Tudo esvoaça de encontro ao suspiro
que retenho e que morre abafado,
aos poucos…
Depois, quando a sombra se afasta
rastejo até ela tentando apanhá-la,
por vezes não consigo…
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Terça-feira, Novembro 18, 2008
Chegarei a ti meio afogado e nu

Vou fazendo os meus poemas
com a vontade que as palavras
ganham ao escrevê-las,
como se elas tivessem vida própria
e eu não.
Ainda assim, procuro vergá-las
para as fazer pulsar do que sinto,
numa luta contra a corrente
de um rio onde me arrisco a despir
para melhor o atravessar.
Vou caminhando para ti
de igual modo, com o desejo
nos passos que invade o meu andar
ao percorrer o trajecto,
como se eles tivessem vontade própria
e eu não.
Confesso que tento resistir
para esconder o que sinto,
mas o entusiasmo vivo do rio
vai-me arrastando para a foz.
A menos que fujas, mais cedo
ou mais tarde chegarei a ti
vestido de fogo e sem palavras,
ainda que meio afogado e nu.
Poema: Nilson Barcelli © Novembro 2008
Fotografia: Autor desconhecido
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Terça-feira, Novembro 11, 2008
Saber olhar

Saber olhar
sem mais nada fazer,
é uma arte indispensável,
porque não pensar enquanto te olho
é saber encher a minha alma de ti.
Não olhar para mais nada
enquanto medito, também o é,
porque não te ver
enquanto penso em ti
é saber como te vejo quando te olho.
O que eu vejo de ti, és tu,
nada mais, tal e qual
como te vêem os demais.
És uma exactidão determinável
sem fugas à realidade demonstrável.
O que eu penso de ti,
não és tu, és outra,
diferente do que os outros pensam.
És um erro variável, com um desvio
à verdade indemonstrável.
De te ver e de tanto em ti pensar,
apaixonei-me,
desprezei o erro da incerteza
na verdade insofismável de te amar.
Poema: Nilson Barcelli © Novembro 2008
Fotografia: Autor desconhecido
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Terça-feira, Novembro 04, 2008
Esta noite

Esta noite,
gostava que te despisses,
que te libertasses dos fardos
que te entregaram
pintados de preconceitos
e esquecesses o que aprendeste.
Esta noite,
gostava que abandonasses
a forma de recordar
o que te contaram
e lavasses o vinho
que te entornaram na memória.
Esta noite
gostava que libertasses
o teu genuíno sentir,
que te desenfardasses
do norte de fumos parasitas
e que fosses tu, apenas tu.
Esta noite,
gostava que aprendêssemos
a beber descalços
a cachaça branca e pura do prazer.
Poema: Nilson Barcelli © Novembro 2008
Fotografia: Autor desconhecido
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