Quarta-feira, Setembro 26, 2007
Ainda há tempo

Será ainda possível,
meu amor, acariciarmos
os versos da querença buliçosa
na rima dilatada do desejo,
varrendo os estigmas
do nosso passado dispersos?
Ainda que convencidos
da cumplicidade da pele
que estala no corpo
em arroubos da carne,
poderão ser mendigas as mãos
que se enlaçam nas noites de espuma.
Ainda que convencidos
do poema que brota do afecto,
os verbos poderão vacilar
nos seus passos
e cair em jardins destroçados,
soçobrando no lodo de pétalas mirradas.
Mas, mesmo que o sol
já tenha almoçado,
ainda há luz, meu amor,
e enquanto o luar cresce
e nos abraça, ainda há tempo
de criarmos sobremesas de flores.
Meu amor, ainda há tempo
de sol, de luar, para que a nossa pele
se confunda no toque que a faz vibrar.
Poema: Nilson Barcelli © Setembro de 2007
Fotografia: Autor desconhecido
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