Quarta-feira, Julho 25, 2007
Levantei o sol

Levantei o sol
em manhãs de chuva cinzenta,
cosi estrelas
em cortinas bordadas de silêncios,
sem que as palavras
- daninhas que fossem –
tivessem rompido.
Atei as mãos
à ausência do teu rosto,
cravei o corpo
que desejo no meu peito,
sem que o sorriso
- hotel de memórias tuas –
fosse esquecido.
Adormeci no sonho
de voar em montanhas de volúpia,
despertei em abismos
de saudade relutante,
sem que as auroras
- madrugadas submersas de ti –
brotassem francas de brumas.
Enquanto isso, construí outro leito,
para que não adormeças na pedra fria de palavras.
Espera-te um jardim
onde cultivei as tuas pétalas
regadas com beijos de sol e abraços de azul.
Poema: Nilson Barcelli © Julho de 2007
Fotografia: João Vasco
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