Segunda-feira, Março 06, 2006
O canto do meu nome

O canto do meu nome
Nos teus lábios, decorado
Em lusitanos verbos, tecidos no recato
Das nossas línguas, de passarinhos,
Que se aconchegam
No ninho desvendando rostos
Das nossas fomes de trovas cevadas.
O teu nome venerado em rimas
De silêncios, só meus, retratos de verdade
Iguais aos teus, inteiros no mutismo
Em que me empenho, nome perene
De amanhãs plenos de eminentes encantos.
Retido por monções de afecto, o teu nome,
Murmurado, sempre
Ofuscando de mil cores as tintas
Brancas e pretas dos meus dias.
Estendem-se os nossos nomes meninos,
Imensos, na praia da saudade, só nossa,
Nus na limpidez de leitos de areias,
Vestidos de crenças que não sabem
Desnudar-se às máculas alheias,
Porém sempre descalços para nós.
Poema: Nilson Barcelli © Proibida cópia sem autorização
Fotografia: Jean-Sebastien Monzani - Silence
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