Quinta-feira, Junho 09, 2005
Foge de mim

( Fotografia de Vitor Melo )
Não, não quero mais
A tua cegueira de fome
Maior que a dos cegos que não vêem.
Vai para o aquém da tua carne marcada
De recortes sedentos.
Descobre armaduras
Para que as minhas mãos tropecem
E não avassalem espaços
Destroçando os teus segredos.
Arranja fortalezas só tuas
De azimutes verdadeiros
Onde a fogueira não morda as ameias
Da derradeira gota de contradições.
Rebenta em flores de pétalas e asas
E voa em archotes de verdade
Porque a abdicação é inteira.
Foge de mim
Para que não me perca loucamente
Na demência da tua carne
E me embriague no sonho
Da terra fértil e pronta
Do teu poema feito mulher.
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