Sexta-feira, Outubro 29, 2004

O Fim das Portagens 

Há muito tempo que penso que a existência das portagens origina um imposto cego e injusto. Quem circula não tem qualquer responsabilidade de, muitas vezes, não ter alternativas (casos das pontes de Lisboa). Há que criar, por isso, uma política mais equitativa.

Abreviando o meu raciocínio, relembro:
1 – Todas as vias de circulação, quer sejam auto-estradas (AE), estradas nacionais (EN) ou até estradas municipais (EM), têm custos de investimento inicial e de manutenção, sendo que estes últimos variam principalmente com a intensidade do tráfego;
2 – Nem todas as AE e nenhuma EN ou EM cobram portagem;
3 – Os proprietários dos veículos que circulam nessas vias já pagam o imposto automóvel (IA) e IVA nos actos de compra respectivos;
4 – Esses proprietários pagam ainda anualmente o imposto municipal (correspondente ao antigo imposto de circulação – o “selo”), que é um valor fixo em função da cilindrada e do ano de compra das viaturas;
5 – Também pagam impostos nos combustíveis que compram. Quanto mais combustível compram, mais circulam, mas também mais pagam.
5 – O imposto dos combustíveis é calculado em percentagem. Se os preços subirem o imposto cobrado aumenta e vice-versa.

Postas estas verdades, a minha tese sobre as portagens é a seguinte:
1 - Ninguém pagaria portagens nem imposto municipal;
2 - A receita (para as AE, EN e EM) seria obtida à custa de todos os compradores de combustíveis para veículos.
3 - A quota referente às Câmaras Municipais seria calculada com base na localização dos postos abastecedores.
4 - O valor do imposto sobre combustíveis, total ou parcial, passaria a ser calculado por litro, independentemente do preço do barril no mercado, ainda que pudesse ser actualizado anualmente, de modo a garantir, sem surpresas, a cobertura da receita anual necessária para o conjunto das vias de circulação (custos de manutenção e investimentos previstos para cada ano).

Como esta política tem aspectos negativos ela deveria ser acompanhada de:
1 – Elaboração e implementação (5 a 10 anos) de um Plano de Melhoria da Rede Viária Nacional, onde fosse consignada a proporcionalidade das vias de circulação em cada região do país, de modo a que passasse a existir uma oferta equilibrada nas diversas regiões o país;
2 – Redução do IA nas regiões de maior carência, num período máximo de 10 anos, até que fossem satisfeitas as condições previstas no Plano.

Nota: as portagens só teriam cabimento, no contexto acima exposto, com o objectivo claro de condicionar a quantidade de tráfego (exemplo da entrada nas cidades). Faria sentido, então, chamar-lhe Taxa Moderadora Rodoviária (a da Saúde é um aborto…).


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Quarta-feira, Outubro 27, 2004

Bibliocafés 

As Câmaras Municipais de Ponte da Barca e da Lousã, numa iniciativa inédita digna dos maiores aplausos, têm em funcionamento, em diversos cafés, pequenas bibliotecas com cerca de 100 a 200 volumes cada, que vão renovando periodicamente com novos títulos.
A leitura pode ser feita no próprio café ou em casa durante 10 dias. Este expediente, levando a montanha a Maomé…, está a ter uma boa aderência, nomeadamente em pessoas que não tinham hábitos de leitura. Os proprietários dos cafés também estão satisfeitos.
Será caso para dizer que ainda há gente que pensa… Parabéns aos autores da ideia.


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Segunda-feira, Outubro 25, 2004

Adiantada mental? 

Fez este último verão dois anos que ouvi a história mais rocambolesca, mas verdadeira, acerca de um casamento de dois jovens meus conhecidos, que alguém jamais poderia imaginar.
A Joana e o Alfredo namoravam há cerca de 3 anos e resolveram casar. Ela era funcionária de uma escola e ele trabalhava nas obras como carpinteiro. Já tinham construído uma casa num terreno dos pais dela e, por isso, estavam satisfeitos os requisitos mínimos para o enlace.
Toda a burocracia, junto do pároco e do registo civil, foi tratada por ela, já que era mais letrada, e ele só precisava de assinar. Marcada a data fizeram os convites numa tipografia próxima e o périplo respectivo junto dos familiares e amigos, tendo sido convidadas umas cem pessoas.
No dia aprazado toda a gente chegou a horas, incluindo noivos e padrinhos. Como já tinham passado alguns minutos e a igreja estivesse fechada alguém resolveu bater à porta da residência paroquial, que ficava mesmo ao lado, não fosse o pároco, que às vezes bebia um copito a mais, ter-se esquecido da cerimónia.
- Casamento? Não tenho nenhum marcado para hoje. De quem?
- Da Joana e do Alfredo…
- Ah… Eles vão casar? Não sabia…
Todos ouviram o diálogo. Durante uns segundos ficaram em silêncio a olhar para os noivos à espera de uma explicação. E o noivo a olhar para a noiva à espera de esclarecimentos. E a noiva a olhar para o nada. Afastaram-se um pouco e conversaram em voz baixa, que ninguém seguiu. Após isso o noivo comunicou a todos:
- Meus amigos…! Ouve aqui um problema burocrático e a cerimónia religiosa vai ter de se realizar noutra data. Mas como o repasto está pronto daqui a uma hora, e não há maneira de o adiar, o melhor será tirarmos já as fotografias e depois avançarmos para o banquete como se o casamento tivesse sido feito.
Os convidados ficaram um pouco intrigados, mas, como se tratava de encher o bandulho e o seu dinheiro das prendas já estava irremediavelmente gasto, lá se deixaram fotografar à vez com os noivos e, ao fim de poucos minutos, dirigiram-se para os automóveis respectivos e dali se marcharam em caravana ruidosa até ao restaurante.
Durante os aperitivos e até à primeira sobremesa, com excepção dos inúmeros cochichos, tudo decorreu conforme o previsto. Foi então que o noivo desatou aos berros com a noiva, deixando-a pregada à cadeira depois de dois valentes estalos, e se ausentou da sala para parte incerta, vermelho de raiva.
Instalou-se a maior confusão entre inúmeros convidados, tendo tamanho burburinho como epicentro as duas famílias que se travavam de razões, sendo que a noiva levou mais uns safanões de ambas as partes.
Há medida que os dias iam passando foi-se sabendo o enredo da história: a Joana nunca tinha trabalhado na escola nem em lado nenhum (ele às vezes ia esperá-la e ela saía da escola), todos os papéis que ele assinara nunca foram entregues no registo civil ou ao pároco e a casa que ele financiou estava em nome dela. O Alfredo ficou sem muito dinheiro, que os pais lhe tinham dado para a construção, e desistiu da acção judicial que se impunha porque o advogado lhe disse não ter qualquer prova de que a construção da casa tinha sido paga por ele.
Ainda hoje os amigos dos ex-noivos não sabem se ela é atrasada ou adiantada mental.


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Sexta-feira, Outubro 22, 2004

Cabaret da Coxa 

Os últimos 2 ou 3 meses foram férteis em acontecimentos inimagináveis. Só a título de exemplo, relembro alguns deles

Substituição de primeiro-ministro sem eleições, nomeações de amigos em massa, listas sucessivas de professores sempre com erros grosseiros, alunos sem professor e professores sem alunos, proibição da entrada do barco do aborto, :nomeação da Celeste Cardona para a CGD, reforma milionária de gestor da CGD, ataques evidentes do governo à liberdade de imprensa (casos Marcelo, nomeação de Pedro Delgado, retrato do Santana tirado do Cabaret da Coxa, etc.) reforçados na passada 3ª Feira pela tese da cabala entre MRS, o Expresso e o Público, e maximizados ainda pelo ministro Morais Sarmento que acha que o governo deve interferir na programação da RTP, promessas de tempos difíceis seguidas de promessas do inverso em pouco mais de 15 dias, respectivamente pelo ministro das finanças e pelo primeiro-ministro, intromissão de governantes sobre a segurança de um jogo de futebol, troca de mimos entre dirigentes desportivos com pedidos de audiência a ministros, dinheiro desviado de obras camarárias para pagar ordenados chorudos de futebolistas, suspeitas de corrupção de Valentim Loureiro, Orçamento de Estado que ilude os menos avisados com transferências de “despesas correntes” para “investimentos”, a saúde e as taxas moderadoras diferenciadas como se de uma droga se tratasse, maior despesa do consumidor e menor do governo nos gastos com medicamentos, uma lei das rendas criticada por senhorios e inquilinos, vias rodoviárias sem alternativa com portagens, transferência de professores para assessores de juízes, etc., etc.

Para um observador minimamente atento não há dúvida nenhuma que, genericamente, dirigentes políticos, governamentais, autárquicos e desportivos estão no mesmo patamar da mediocridade, pela falta de competência, pela desaplicação de princípios democráticos, pelo descuramento de imperativos morais e/ou pela negligência de obrigações legais inerentes aos cargos que desempenham.

Será que estamos a ser conduzidos
a) Por uma geração do Cabaret da Coxa Rasca?
b) Ou por uma geração do Cabaret da Coxa Pimba?


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Quarta-feira, Outubro 20, 2004

O buraco 

PRJ - Bom dia Sr. Ministro, daqui fala o presidente da junta…
MIN – Desde quando é que eu tenho que falar com presidentes da junta?
PRJ – Desde ontem Sr. Ministro.
MIN – Ontem? Saiu alguma nova lei que eu não conheça?
PRJ – Não Sr. ministro, não saiu… Eu ouvi foi o ministro Morais Sarmento falar sobre a interferência que o governo deve ter sobre a programação…
MIN – Mas ele falava da Rádio Televisão Portuguesa…
PRJ – Eu sei mas, por analogia, o Sr. Ministro, que é das Obras Públicas, vai dizer o mesmo dentro de dias e, por isso, eu faço-lhe já a pergunta referente à minha programação: Eu tenho um buraco para tapar, na estrada que vai dar à casa do líder da oposição cá da terra. Tapo-o já ou faço-o mais em cima das eleições?


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Segunda-feira, Outubro 18, 2004

Estou quente 

A matança do porco em casa dos meus avós era um acontecimento que me deixava sempre em pulgas, e esse alvoroço acabava apenas no dia em que se faziam as chouriças (ou chouriços se fossem mais grossos…).
O primeiro indício que me alertava para a proximidade do evento era uma alteração na dieta alimentar do porco escolhido. Se até ali ele comia de tudo, incluindo restos de cozinha, a partir de certa altura passava a haver um cuidado especial no menu, havendo por vezes algumas repreensões, principalmente às criadas, que por esta ou aquela razão negligenciavam detalhes imperdoáveis.
Só quando tinha os meus 14 ou 15 anos é que me foi permitido assistir à matança do porco. A partir daí fiquei por dentro dos pormenores. O matador, que era simultaneamente o capador, era antecipadamente contratado. A tarefa parecia-me tão fácil que sempre fiquei convencido que o chamavam porque os donos não tinham coragem de o fazer, dado o seu convívio diário com os animais.
A matança começava pelas 6 da manhã. O porco era amarrado com cordas em cima de um carro de bois, com a cabeça virada para o cabeçalho pousado no chão. Com a cabeça mais baixa o sangue sairia melhor. O matador, depois de lavar o sítio onde espetaria a faca, empurrava-a directamente ao coração. Quanto menos tempo durasse o berreiro do porco melhor era o matador.
O sangue, que saía pelo sítio do golpe, era aparado num alguidar e tinha que ficar uma pessoa a mexê-lo durante muito tempo para que não coagulasse. Servia para fazer o arroz de sarrabulho ou então era cozido para acompanhar os rojões.
Depois de morto era necessário chamuscar o porco. Era utilizada palha seca que se ia incendiando para queimar todos os pelos. Depois de chamuscado era criteriosamente lavado, com pedra-pomes e sabão até ficar com um aspecto avermelhado. Depois disso era pendurado pelo focinho num local fechado e era aberto de cima a baixo para lhe serem extraídas todas as vísceras. E ficava aberto, com uns pauzinhos e folhas de louro, durante 24 horas a escorrer.
No dia seguinte, que era o que mais gostava, o porco era desfeito, isto é, cortado em pedaços. Umas partes iam para a salgadeira, outras para serem cortadas aos bocadinhos, que ficavam em vinha-d’alhos para mais tarde fazer as tais chouriças que eram curadas ao fumeiro, outras para fazer rojões e ainda outras para dar aos vizinhos (era costume darem uns aos outros e, por isso, de Outubro a Fevereiro, os meses mais frios, havia sarrabulho pelo menos uma vez por semana. As tripas, depois de lavadas em não sei quantas águas, também eram aproveitadas para fazer as farinhotas ou farinheiras.
Nesse mesmo dia, ao fim da tarde, era a ocasião para encher as chouriças, de carne e de verde (as primeiras com a melhor carne e as segundas – havia quem lhe chamasse sanguinhas - com a pior e com muita cebola, previamente picada). Era durante essa azáfama que eu surripiava uns pedacitos de carne e me refugiava na lareira da cozinha a fazer umas espetadas como nunca mais comi na vida. Foi num dessas ocasiões que, inoportunamente chamado para fazer um qualquer recado, numa altura em que nem sequer tinha ainda provado a iguaria, eu abri a porta, apenas uma frincha para não me resfriar, e disse:
- Não posso, estou quente…


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Sexta-feira, Outubro 15, 2004

O exemplo de João Paulo II 

O processo da beatificação dos pastorinhos que presenciaram a aparição de Nª Sª de Fátima em 1917 decorre em ritmo acelerado. Poderão ser batidos todos os recordes temporais e o evento tem grandes possibilidades de ocorrer a 13 de Maio do próximo ano com a presença do Papa João Paulo II. O essencial da argumentação passa por um milagre feito à custa das novas tecnologias. A mãe de uma criança com diabetes, que na Suiça assistiu em directo através da TV a uma cerimónia em Fátima, viu o seu pedido feito aos pastorinhos satisfeito passado pouco tempo e sem qualquer explicação médica para o sucedido.

O número médio de peregrinos que visita anualmente Meca é de 2,1 milhões, enquanto que, em 2003, cerca de 7 milhões de pessoas estiveram em Fátima.

Ultimamente vários grupos de outras religiões, nomeadamente orientais, têm visitado Fátima. Mesmo contra a opinião de muitos católicos, que não gostam destas intromissões, o Papa deu instruções directas aos responsáveis locais da Igreja em Fátima para que permitam tais visitas e recebam condignamente esses peregrinos.

Da conjugação destes três factos, aparentemente desligados, conclui-se que Fátima está na moda e se recomenda. Mas, mais importante que tudo isso, é o gesto do Papa ao abrir as portas a religiões tradicionalmente afastadas e que, na prática, até se têm ignorado. Este exemplo de fraternidade e abertura, apesar das diferenças que devemos respeitar, deveria ser seguido pelos políticos que mais predomínio têm na paz mundial.


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Quarta-feira, Outubro 13, 2004

Comadre Ludovina 

A referida comadre é dona de um monte no Alentejo, onde se pode desfrutar de uma abençoada cama alentejana. Cria vários animais (cada um tem o seu nome), produz muita fruta (alguma podre) e tem legumes variados. Vive lá um sobrinho, o Celestino, que trabalha tanto como o Castelo Branco, mas ao contrário deste só pensa em mulheres. Os caseiros, um casal de ucranianos, tratam de tudo na quinta, mas ela insiste em cuidar de alguns aspectos específicos.
Amante da natureza, a comadre tem passado os últimos dias a tomar conta de umas garças que persistem na tentativa de lhe comerem as rãs que ela tão carinhosamente preserva. Vai daí atira maçãs podres às ditas garças, fica ali de plantão várias horas, adormece a sonhar que é um pachá a olhar para o Bósforo e até declara não ter ouvido a homilia do Santana Lopes por falta de tempo.

Perante esta calamidade resolvi fazer-lhe uma chamada de atenção, que rezava assim:
«Comadre, você anda a interferir no lado errado da vida selvagem. Devia ter ouvido até ao fim o boneco do Santana Lopes (ele é mau mas não acredito que fosse ele a falar, pois mais parecia uma marioneta - será que ele já sofre do mal do Bush, que fala por instruções de extraterrestres?) e veria que afinal está tudo bem. Eu fiquei com a impressão que ele estava a falar doutro país, nórdico talvez, e não desta nossa selva.
Daí que, em vez de incomodar as coitadas das garças, que lutam pela sobrevivência (se elas comem as rãs, estas comem os mosquitos...), deveria era incomodar a ave de rapina mor, que disse que ia baixar o IRS, mas não disse que, mesmo assim, vamos pagar mais, porque se preparam para nos rapinar as deduções fiscais da poupança-habitação, da poupança-reforma, etc., enfim, regalias de gente rica e não da classe média.
Por isso sugiro que passe a atirar couves e maçãs podres ao Santana e deixe as garças em paz. Fique em paz e uma boa semana para si.»

Nota publicitária: Visitem a abençoada cama alentejana. Por cada visita eu recebo 10% de comissão.


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Segunda-feira, Outubro 11, 2004

Frases 

No debate televisivo da sexta-feira passada com John Kerry, dizia Bush:
«Sadam Hussein era uma ameaça porque podia ter dado armas de destruição maciça a terroristas.»
Por que será que Bush continua a dizer coisas nas quais já nem ele próprio acredita?

No Sábado dizia Luís Filipe Menezes no “24 Horas”:
«O doutor Marcelo é um ponta de lança muito talentoso, assim do tipo Van Nistelrooy. E atirou-se para o chão quando sentiu o encosto do ministro Gomes da Silva na grande área. Ele é um jogador excelente e fez-se ao penalti.»
Será que o Menezes não sabe as regras do jogo?
A interferência do governo em matéria de critérios na área de informação é proibida em democracia. Portanto caro Menezes, a jogada é mesmo penalti. Eu sei que você sabe isso e também sabemos que a sua opinião (comprada?) significa um pedido de ajuda para as ilegalidades que o Sr. cometeu na construção do Centro de Estágios do Futebol Clube do Porto em Gaia.


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Quinta-feira, Outubro 07, 2004

O meu vizinho Pedro 

Ontem, quarta-feira, a SIC homenageou algumas figuras de vulto da sociedade portuguesa. Resolvi começar a ver só para confirmar que seria uma sessão como nos anos anteriores, isto é, mais do mesmo, onde a pirosice nacional normalmente também é premiada. Ou então, apesar do valor das personalidades em causa, tudo acabaria por ser fastidioso pela repetição dos nomes de sempre.
Mas não, desta vez enganei-me redondamente e vi o programa até ao fim. Passando por cima de alguns dos nomes conhecidos fui agradavelmente surpreendido com:
DOS MEIS VELHOS
Eduardo Lourenço
, Literatura e Ensaio (apesar do mau gosto de colocarem música a dado passo da sua declaração), Emmanuel Nunes, Música Erudita, e Alexandre Furtado, Medicina.
DOS MAIS NOVOS
Dos doze homenageados vou destacar apenas um. Os outros onze que me perdoem, mas esta é uma oportunidade de ouro para um merecido destaque.
Trata-se do João Pedro Esteves de Araújo, que foi homenageado na investigação científica na área da Física, de onde se destacam diversos trabalhos em Física da Matéria Condensada, Materiais Nanoestruturados, Estudos Microscópicos de Materiais com Magnetoresistência Colossal Utilizando Isótopos Radioactivos e outros trabalhos com nomes tão estranhos que será melhor nem os referir, para além de diversas colaborações internacionais, nomeadamente no âmbito do European Organization for Nuclear Research (CERN).
Fui apanhado de surpresa mas fiquei inchado com tanto orgulho. Já lhe enviei os meus parabéns por E-mail, mas esta é a minha homenagem pública a um jovem promissor que por acaso é meu vizinho e amigo.


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Quarta-feira, Outubro 06, 2004

5 de Outubro (1910) 

Num dia em que se comemorou a implantação da República, coisa que muitos portugueses não sabem o que foi, nem que o último rei foi D. Manuel II e muito menos que o primeiro presidente foi Manuel de Arriaga, o actual Presidente da República voltou a falar do estado da nação.
O que ele disse, em resumo, foi aquilo que nós todos sabemos. Os governos têm tomado apenas medidas pontuais e não fazem reformas de fundo. E que terão até perdido a noção do país real.
Claro que o primeiro-ministro, Santana Lopes, logo tratou de sacudir a água do capote, dizendo que o presidente não falou para este governo, mas sim para todos os políticos, e mais uma série de lugares comuns. Tal como fazia o anterior, num descarado cinismo político, evitou confrontar-se com as críticas e disse até que pensava como o presidente.
Como é que vamos aguentar mais 2 anos uma pessoa tão medíocre como Santana Lopes?

PS: Segundo percebi, as eleições no Brasil correram bem ao Lula no passado Domingo. Mas ainda há a segunda volta em vários estados, pelo que a contabilidade ainda não pode ser fechada.


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Segunda-feira, Outubro 04, 2004

Futebol 

Romário disse que foi o melhor jogador da selecção brasileira desde Pelé.
De acordo com uma sondagem feita no Brasil 57% dizem que não e 43% que sim.
E vocês, acham que o baixinho tem razão ou não?




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