Segunda-feira, Dezembro 22, 2003
Excelentíssima Ministra da Justiça
Amiga Dr.ª Celeste Cardona
É com enorme satisfação e reconhecimento que, mais uma vez, nos dirigimos a V.ª Ex.ª. Desta vez para enaltecer, lavrando para a posteridade Notarial, a sapiente e intrincada decisão de privatizar os Notários, outorgando, pura e simplesmente pelo custo do recheio, os Notariados aos Notários.
E estamos duplamente satisfeitos porque, por um lado, no estado em que está o nosso parco mobiliário, qualquer avaliador, por muito rigoroso que seja, não lhe atribuirá mais que um valor simbólico. Que até receamos ser insuficiente para liquidar os seus próprios honorários. E que, por isso, levanta a questão se não será mais lucrativo serem os próprios Notários a executar graciosamente essa tarefa.
E, por outro, porque se impede que a notável arte Notarial caia na rua, isto é, que seja literalmente assaltada pela turba desempregada de advogados.
A sagacidade política de V.ª Ex.ª ficou mais uma vez comprovada quando nem tão-pouco redarguiu à indignação do Bastonário da Ordem dos Advogados, limitando-se a sorrir e a perscrutar por cima dos óculos (que bem fica esse look arrasador a V.ª Ex.ª…). E que, aliás, seria até politicamente incorrecto dizer-lhes, como teria indubitavelmente que asseverar, que a maioria deles nem para solicitador serve quanto mais para Notário.
Reiteramos, para finalizar, a nossa anterior proposta quanto ao valor do recheio, o qual, numa atitude de servir incondicionalmente o país, seria concedido a fundo perdido a cada Notário, sendo o mesmo utilizado em mais valias de investimento nas precárias instalações que possuímos.
Pel’O Sindicato (futura Ordem) dos Notários
Oitavo Octávio Notário
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