Quinta-feira, Setembro 18, 2003
Consenso de Presidente
O Dr. Jorge Sampaio, na sua alocução de 18 de Setembro, apelou ao consenso sobre as políticas dos sistemas de saúde, educação e outros. Entre o poder e a oposição, está claro.
Na nossa história política recente, se bem me lembro, só nalguns casos referentes a políticas da Comunidade Europeia é que se chegou a algum entendimento. Mesmo assim, sem qualquer impacto positivo digno de nota.
È óbvio que um consenso deste tipo, para além de ser altamente improvável, por si só, não traria valor acrescentado a qualquer dos sistemas em causa. De que servem alianças partidárias sem serem tidos em conta contributos dos actores no terreno? De que servem reformas e mais reformas, em que nada muda, sem o contributo dos médicos, enfermeiros, professores e demais pessoal técnico e administrativo? E ainda, sempre esquecidos, quem é que ouve os utentes?
O principal objectivo dos diversos sistemas públicos é servir o utente. O doente (ou não), o aluno, o contribuinte, etc. A única forma conhecida a que os cidadãos podem recorrer é a reclamação. E esse método, todos o sabem, não conduz a qualquer alteração dos sistemas. É o equivalente ao livro de reclamações dos restaurantes. Já devem ter reparado que um bom gestor de restaurante passa por todas as mesas e ouve a opinião dos clientes acerca da qualidade da comida. Do mesmo modo, todos os serviços públicos, devem avaliar o grau de satisfação do cliente. Devem fazê-lo sistematicamente, devem tratar os dados recolhidos sob a forma de estatísticas e devem publicá-los periodicamente sob a forma de indicadores (tipo bolsa de valores, com a evolução no tempo). Só assim se conseguirá “medir” e melhorar a qualidade da prestação do serviço público (serve também para os privados que tenham clientes).
Este é o consenso que deve ser procurado (por ordem crescente de valor): a soma dos contributos dos políticos, dos profissionais e dos utentes.
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Na nossa história política recente, se bem me lembro, só nalguns casos referentes a políticas da Comunidade Europeia é que se chegou a algum entendimento. Mesmo assim, sem qualquer impacto positivo digno de nota.
È óbvio que um consenso deste tipo, para além de ser altamente improvável, por si só, não traria valor acrescentado a qualquer dos sistemas em causa. De que servem alianças partidárias sem serem tidos em conta contributos dos actores no terreno? De que servem reformas e mais reformas, em que nada muda, sem o contributo dos médicos, enfermeiros, professores e demais pessoal técnico e administrativo? E ainda, sempre esquecidos, quem é que ouve os utentes?
O principal objectivo dos diversos sistemas públicos é servir o utente. O doente (ou não), o aluno, o contribuinte, etc. A única forma conhecida a que os cidadãos podem recorrer é a reclamação. E esse método, todos o sabem, não conduz a qualquer alteração dos sistemas. É o equivalente ao livro de reclamações dos restaurantes. Já devem ter reparado que um bom gestor de restaurante passa por todas as mesas e ouve a opinião dos clientes acerca da qualidade da comida. Do mesmo modo, todos os serviços públicos, devem avaliar o grau de satisfação do cliente. Devem fazê-lo sistematicamente, devem tratar os dados recolhidos sob a forma de estatísticas e devem publicá-los periodicamente sob a forma de indicadores (tipo bolsa de valores, com a evolução no tempo). Só assim se conseguirá “medir” e melhorar a qualidade da prestação do serviço público (serve também para os privados que tenham clientes).
Este é o consenso que deve ser procurado (por ordem crescente de valor): a soma dos contributos dos políticos, dos profissionais e dos utentes.
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